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2 em 1: romances de formação

Romances de formação

Agora que a minha querida-amada-idolatrada-salve-salve editora-chefe voltou das “férias” (oi Bruna!), vamos tomar vergonha na cara e voltar a escrever por aqui. Só que o material que escrevi para cada livro deste post era muito pouco para os meus padrões, então resolvi juntar tudo numa coisa só. Falemos então dos Bildungsroman (ou romance de formação) que andei lendo recentemente.

Romances de formação contam a história do protagonista desde sua infância até a idade adulta, o que nos ajuda a entender suas motivações, ao termos contato com suas experiências mais antigas. E hoje falarei sobre dois deles.

Misto-quente, do autor americano de origem alemã Charles Bukowski, foi publicado em 1982 e narra os primeiros anos de vida de Henry Chinaski, considerado o alter-ego do autor ao longo de toda sua obra. A história se passa no período da Grande Depressão de 1929, mostrando como era a vida nos bairros pobres de Los Angeles.

Com um pai cruel e uma mãe apática, Henry desenvolve uma misantropia cada vez maior, ainda bem pequeno, tornando-se cada vez mais sarcástico e solitário. Sua solidão se agrava ainda mais na adolescência, quando um caso grave de acne o desfigura. É claro que nem tudo é desgraça, há diversos trechos onde podemos ver o humor cáustico de Bukowski aflorar.

Aqui eu preciso confessar algo: até recentemente eu não conhecia o autor, só algumas citações do talento dele, especialmente pelo Twitter. Li alguns contos e gostei do que vi. Li Misto-quente em dois dias, quase que de uma tacada só. E confesso: ainda não sei o que pensar sobre o livro. A história me entreteu, mas ela também não me agradou, talvez pelo tom pessimista da obra.

Não me entendam mal: o livro não é ruim; mas, ao mesmo tempo, não consegui entender porque ele é considerado a obra-prima de Bukowski, nem porque este autor é tratado como gênio. Talvez o meu gosto literário não se encaixe no estilo dele, realmente não sei.

E isso nos leva ao outro livro, escrito alguns anos antes: falo de Cândido, publicado em 1759, escrito por Voltaire, escritor, historiador e filósofo Iluminista. Nele, somos apresentados a um jovem rapaz chamado Cândido, que vive num castelo paradisíaco, sendo doutrinado pelo filósofo Pangloss naquilo que chamava de Otimismo: tudo que acontece é sempre a melhor coisa possível.

É preciso compreender o contexto filosófico da época para entender um pouco a obra: essa corrente de pensamento era defendida por Leibniz e sempre foi duramente criticada por Voltaire. Cândido nada mais é do que uma brilhante contra-argumentação ficcional a esta doutrina filosófica.

O livro pode ter mais de 250 anos de idade, mas o leitor moderno não se dá conta disso: a história segue num ritmo bem rápido e errático, sendo deliciosamente sarcástica e com tons fantásticos. A todo momento a crença de Cândido no Otimismo é posta à prova, o que rende diversas situações insólitas e, muitas vezes, hilárias.

Eu já conhecia Voltaire de longa data, mas apenas o seu trabalho no campo filosófico. Ter contato com um outro aspecto de sua genialidade criativa me fez ter ainda mais respeito por ele. Cândido é uma obra atemporal, merecendo uma leitura.

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Vinícius Cordeiro

“And all I ask is a tall ship and a star to steer her by” – John Masefield

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