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A fórmula mágica da escrita – Sobre livros, gosto e alguns preconceitos (e uma tirinha)

leitura

Já tive muitos preconceitos em termos de leitura. Acho que até certa idade, apesar de errado, é um tanto natural que repudiemos aquilo que é diferente da gente, que tentemos classificar e categorizar as coisas em “boas” e “más” utilizando nosso próprio gosto como parâmetro. Com livros, não seria diferente.

Além de errado, é muito pouco inteligente. Deixar de reconhecer e valorizar os gêneros literários da moda (especialmente as centenas de séries adolescentes que as editoras tem despejado nas livrarias todos os meses) como fonte de “catequização” de novos leitores é, para dizer pouco, uma atitude contraditória para aqueles que se dizem leitores. Quem lê, geralmente gostaria que o mundo todo o fizesse, que todos fossem habituados à leitura e à escrita, e às regras da língua, coisas que só são obtidas de forma fácil e divertida através da leitura. Quem lê adoraria poder perguntar a qualquer um “o que você está lendo?” Como se fosse óbvio que todos, em algum momento, estivessem lendo alguma coisa.

Lendo na rua

Todos os leitores de corpo e alma que conheci tem o secreto desejo (às vezes nem tão secreto assim) de “livrar” o mundo.  De transformar as pessoas como foram transformados: através dos livro; de melhorar o nível de todas as conversas (e argumentações) em todos os lugares, com gente de todas as idades. Desta forma, se alguém está entrando devagarzinho no maravilhoso mundo da leitura, timidamente, pela porta que lhe foi acessível, é absurdo que alguém lhe venha dizer que o que ele escolheu é lixo, que não tem valor literário algum. É uma atitude mesquinha, idiota, e presta um enorme desserviço à literatura. Se alguém for cativado pelas letras através de um livro adolescente, é um presente, é uma maravilha. Essa pessoa deve ser muito bem aceita como leitora, e deve ser escutada com interesse sobre suas preferências. Logo mais ela se aventurará a descobrir outros autores (e porque não ajudá-la?), e nesta altura, já estará para sempre cativada pelo mundo das palavras escritas.

Matando um leitor na casca

Atualmente, me sinto liberta de (quase) quaisquer preconceitos literários, uma vez que passei a pensar em gêneros diferentes como uma questão de gosto. E mesmo assim, quando me arrisco em um tipo de literatura para o qual eu até então torcia o nariz, em 90% das vezes tenho uma surpresa positiva, que acaba por ampliar meu horizonte literário. É o caso de Jogos Vorazes (The Hunger Games), série de livros que me foi indicada por uma menina adorável no twitter (queria tanto, mas tanto lembrar quem foi…).

Dito isto, é hora de me contradizer. Há dois tipos de literatura pelos quais não consigo nutrir respeito. O primeiro é o gênero denominado Autoajuda. Não consigo considerá-lo literatura, por mais amplo que deva ser o sentido da palavra. Tem letras, ok. Tem páginas, editora, autor, ok. Mas não tem história, conceitos ou pensamentos revolucionários. Tem mantras, repetidos e repetidos ao longo do livro, a esmagadora maioria tão óbvios que me fazem sentir vergonha, e que não mudam a vida de ninguém por mais de uma semana (exceto a do autor, que ganha rios de dinheiro).

Livros de auto ajuda

O segundo não é bem um gênero… é um AUTOR. Ele se chama Paulo Coelho, e por uma série de motivos, não consigo aceitá-lo como leitura. Em vez de fazer um texto extenso sobre isto, prefiro admitir que é sim uma questão de gosto, e que é um preconceito meu (o único que mantive e mantenho).

Em nome do respeito que devo a todos os leitores, e neste caso especial, àqueles que gostam de Paulo Coelho, me limito a postar uma tirinha que bateu certinho com meu pensamento sobre ele.

Rato de sebo e o coelho - custodio.net

Paulo Coelho lovers, vocês tem direito de resposta nos comentários abaixo. 🙂

Paulo Coelho haters, a tréplica é de vocês. Hahaha.

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brunascomor

“Quem é você?” perguntou a lagarta. “No momento não sei muito bem, senhora” respondeu Alice, timidamente. “Eu sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que mudei muitas vezes desde então”. (Alice no País das Maravilhas – Lewis Carroll)

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