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De repente, não mais que de repente… E eu virei uma amante de poesia

Poema e Poesia Tayra

Quando eu tinha 13 anos ganhei da minha mãe o aclamadíssimo livro Confissões de Adolescente da Maria Mariana. No livro e na peça original, que eu também assisti na mesma época, tem um capítulo (e uma esquete) que se chama “Meu Primeiro Poeta” que é obviamente dedicado a Vinícius de Moraes. Acho que não tem nem como, né! Pelo menos para as meninas… Nos livros de gramática, sempre vai ter lá o Soneto de Fidelidade para as professoras nos ensinarem o formato do que é um soneto, e aí já era. Aquele “que seja infinito enquanto dure” é capaz de garfar todo e qualquer coração de adolescente sempre disposto a se apaixonar. E é engraçado como essa paixão de Confissões cai como uma luva em mim, porque foi mesmo com Vinícius que aprendi a amar a poesia e a desgustar essa nova forma de literatura que se descortinava na minha vida. A partir dele fiz um breve passeio por Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meirelles, Cora Coralina, Mário Quintana, Alphonsus de Guimaraens, esses mestres brasileiros que foram moldando o meu amor por essa nobre arte.

poemas

Até que um dia, graças ao Acústico MTV, eu que já tinha assistido a O Carteiro e o Poeta e me encantado pela figura de Pablo Neruda, depois de ouvir Farewell y Los Sollozos como complemento de Go Back, me apaixonei completamente e decidi conhecer melhor a obra do poeta chileno, e no mesmo dia comprei o pocket book Cem Sonetos de Amor e devorei inteirinho, depois tudo do Neruda que foi caindo na minha mão foi virando paixão. Mais ou menos nessa mesma época conheci minha diva maior da poesia, Florbela Espanca. Curiosamente calhou de ser uma época meio dark da minha vida onde eu estava com 18 anos e com uma série de dúvidas “existenciais”, sem saber se tinha optado pela faculdade certa, se teria algum tipo de carreira promissora com a dança, e ainda passando por uma desilusão amorosa. E a minha empatia com a obra dela foi uma coisa de paixão a primeira vista. Na verdade, a primeira vez que li algo da poetisa, foi em O Diário de Lúcia Helena, lembro que foi o soneto ‘Amar!’ e que eu gostei muito dele, mas foi um contato breve, sem nenhuma profundidade. Mas meu verdadeiro amor por ela foi despertado quando eu li ‘Eu’. Florbela tem um teor melancólico, derrotista, mas profundamente apaixonado, com um sentimento tão forte e tão profundo em cada letra que escreve que é simplesmente impossível não amar essa mulher. E eu sempre fui tão declaradamente apaixonada por ela que o primeiro presente que o Thiago me deu, quando estávamos apenas uma semana juntos foi A Mensageira das Violetas, uma antologia de poesias – e ele descobriu que eu gostava dela lendo o meu blog na época. <3

Poema e Poesia Tayra

A poesia te traz um tipo de leitura completamente diferente daquele de um romance. Ela te descortina um universo totalmente distinto, mais íntimo e reflexivo. Mas, curiosamente, eu conheço muitas pessoas que gostam muito de ler, adoram sempre estar acompanhadas de um bom livro e ainda assim não se interessam ou não conseguem se ver seduzidos por poesia. Muitos por preconceito, outros por falta de hábito, outros por talvez não terem cultivado essa paixão na época certa (eu acredito que, assim como a leitura em si, gostar de poesia é coisa que tem que ser semeada, adubada, regada e aí cresce e vinga). Porque eu acho que se você tem contato com um bom poeta, lê aquilo com a mente e, principalmente, o coração abertos, você é tocado e aí não tem mais como, o bichinho te mordeu e não tem jeito de escapar.

O engraçado é que uma vez ouvi de um professor de literatura que é impossível alguém dizer que gosta de poesia sem gostar de Camões. E é aqui faço um “mea culpa” e confesso que nem mesmo com Os Lusíadas eu tive contato, só com um soneto solto aqui e outro acolá. Mas foi muito mais por falta de oportunidade do que por falta de vontade, porque esse é um livro que sempre tive loucura para ler. Todo mundo que conheço e leu no colégio diz que odiou, quem leu por opção amou e diz que é uma obra prima. Acredito que é um livro pra se saborear e que para isso precisa ser apreciador de boa literatura e de boa poesia. Portanto, acho que já tá mais que na hora de eu tomar vergonha na cara e pegar Os Lusíadas e encarar sua trama intercalada entre a mitologia e a saga de Vasco da Gama no caminho para as Índias. Depois disso poderei bater no peito e me auto-proclamar uma verdadeira amante de poesia, de acordo com o meu professor.

Poesia e amor

Mas eu acho que a raposa ensinou direitinho a lição pro Vinícius, pro Drummond, pra Florbela, pro Quintana, pro Neruda, pra Cora, pra Cecília e eu acho que eles já cativaram o meu coração há bastante tempo e que eu não preciso do Camões pra comprovar isso. 😉

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tayra

Eu sou daquelas que assobia, chupa cana, bate palma e rebola ao mesmo tempo. A que queria ser ginasta e acabou bailarina, a que estudou História e Jornalismo, mas virou publicitária de pé quebrado. Eu tenho sede de mundo, de viver, de saber… “A vida é hoje, o sol é sempre, se já conheço eu quero é mais…” (Milton Nascimento)

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