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Livre-se conversa com Paula Pimenta

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Ontem a gente apresentou a Paula Pimenta a vocês e hoje a gente vai falar um pouco mais sobre a série Fazendo meu filme, o maior sucesso da carreira da escritora, e vocês ainda vão conferir uma entrevista exclusiva que ela concedeu aqui pro Livre-se. 😉

Eu e a minha cunhada, Bia, logo que conhecemos os livros da Paula, ficamos completamente viciadas na narrativa dela, e de cara cada uma se identificou com uma das protagonistas: a Bia é um retrato claro da Priscila de Minha vida fora de série, viciada em séries e praticamente um Ace Ventura com seu zoológico particular; já eu sou todinha a Fani, aquela que passou a vida toda toda devorando filmes, dando nota pra cada um deles, fazendo lista dos títulos que assistiu no mês, de qual gostou mais e depois fazendo uma vasta coleção com os filmes prediletos (no começo eram fitas de VHS, que evoluíram para DVDs e agora continuam crescendo no formato blu-ray) e assim como ela eu continuo acreditando que a vida tem um final feliz.

Em maio desse ano a Paula lançou pela Gutenberg o último volume da série Fazendo meu filme, e depois de tanto tempo torcendo pela Fani e pelo Leo a gente vai, enfim, descobrir como vai ser o final da história deles. Quando o livro chegou aqui em casa, eu tava no meio de outra leitura e não via a hora de acabar pra poder me jogar de cabeça em FMF. O livro tem 606 páginas e eu comecei a ler às 15h da tarde de um sábado e terminei no domingo às 23h40 . Foram pouco menos de 34 horas para devorar todas as páginas e saber o que enfim aconteceria a esse casal que a gente aprendeu a amar tanto. A trama se passa em Los Angeles e no Rio de Janeiro, eu passei o tempo todo me contorcendo de vontade e saudades, já que não é novidade pra ninguém o tanto que eu amo o Rio. E saudades dos momentos maravilhosos que passei na L.A. também, e de várias coisas que a Fani passava e que eu tinha feito, e a minha empatia com a protagonista só crescia mais e mais. E a cada reviravolta que a trama dava eu pensava: gente, a Paula tinha que ser roteirista de comédia romântica, porque ô pessoa pra gostar de uma virada estratégica de tirar o fôlego….

E sem dar nenhum tipo de spoiler, vou dizer que achei fantástica a maneira que ela encontrou pra cobrir a lacuna de cinco anos que separam a trama do terceiro livro pra do quarto, que é muito diferente da que a gente já estava habituado. E é bom que a gente não fica perdido em nenhum momento, consegue acompanhar todo o passo a passo do amadurecimento dos personagens que saíram da adolescência pra vida adulta, longe da sua cidade natal, da asa protetora dos pais. E quando terminei o livro fiquei bem feliz com o arremate dado pela Paula, mas confesso que senti aquela tristeza de órfã de livro que já falei aqui. Ainda mais por saber que agora acabou mesmo – é meio como foi quando terminei de ler o sétimo Harry Potter. Mas logo mais vem o segundo livro de Minha vida fora de série e pela história da Priscila a gente vai poder matar saudade de alguns dos personagens que a gente tanto ama.

Agora vocês vão poder conhecer um pouco mais sobre a Paula, sobre seus gostos pessoais e sobre como surgiram Fani e Priscila. Fora isso vocês vão saber um pouco mais sobre os novos projetos que ela está preparando especialmente pra gente. Confira…

» Pra começar a entrar no ritmo aqui do Livre-se, eu queria que você contasse pra gente como surgiu o seu interesse pela leitura. Seus pais te estimulavam ou você foi cultivando esse hábito por você mesma?
Meus pais sempre me incentivaram. Mesmo antes de aprender a ler, minha mãe lia muito pra mim, então quando eu finalmente aprendi, já era apaixonada por livros! Meu pai também sempre estimulou essa minha paixão, ele podia até me negar brinquedos, mas me dava todos os livros que eu pedia! E assim fui crescendo, com a leitura sempre muito presente em minha vida.

» Qual sua formação acadêmica?
Sou formada em Publicidade pela PUC Minas.

» Como você começou a escrever e descobriu que era isso que você queria para a sua vida?
Eu sempre gostei de Português no colégio, adorava fazer redações… Na época do vestibular, resolvi fazer Jornalismo, para profissionalizar esse amor pela escrita. Mas logo no começo do curso eu descobri que não queria relatar os fatos imparcialmente e, sim, colocar emoção nas linhas. Os meus professores, ao lerem as minhas matérias jornalísticas, perguntavam se eram crônicas. Foi quando eu descobri que era aquilo que eu queria, me colocar dentro da história, opinar, criar. E, por isso, acabei transferindo de curso, para poder ser mais criativa. Me formei em Publicidade. Mas foi com Fazendo meu filme que eu realmente descobri que o que eu mais gosto de escrever são romances.

» De onde surgiu a inspiração para Fazendo meu filme? A Fani é inspirada em alguém real?
Eu me inspirei em algumas partes da minha própria vida, mas aos poucos a história foi tomando outro rumo e foi se transformando na vida da Fani. A Fani se parece um pouquinho comigo, mas ela se parece bem mais com o que eu sou hoje do que com a adolescente que eu fui. Eu era uma adolescente bem mais do jeito da Natália, saía muito, vivia apaixonada… Acho que à medida que o livro foi sendo escrito a Fani foi ganhando personalidade própria.

» Você conhece os lugares pra onde a Fani viajou na Inglaterra e nos Estados Unidos ou foram apenas fruto de muita pesquisa?
Eu morei um ano em Londres, exatamente na época em que eu estava escrevendo Fazendo meu filme 1. Nessa época, fui muito a Brighton, que é lá perto, e vi que tinha muitos intercambistas na cidade. Foi daí que eu tirei a ideia do local do intercâmbio da Fani, pois além de ser uma cidade bem estudantil, eu saberia descrever bem, por conhecer bastante. Cheguei a pensar em escrever a viagem dela em Londres ou até mesmo em alguma cidade dos Estados Unidos, onde foi meu próprio intercâmbio, mas tive medo que a história parecesse muito autobiográfica.

» A série acaba mesmo com o quarto livro ou as fãs podem ter alguma esperança de que a Fani volte a protagonizar algum livro seu?
A Fani vai voltar como personagem secundária, tanto em Minha vida fora de série quanto no livro da Cecília (um projeto que tenho para o ano que vem, cuja protagonista vai ser apaixonada por livros – o título ainda não foi definido). Mas acho que Fazendo meu filme está bem finalizado, eu prefiro terminar mesmo no livro 4 e deixar os detalhes do resto da história por conta da imaginação de cada leitor.

» Depois do sucesso de Fazendo meu filme 1, 2 e 3 seus fãs foram surpreendidos com o surgimento de uma nova série: Minha vida fora de série. Como foi pra você seguir paralelamente com as duas tramas, ainda que elas tenham alguns pontos de intersecção?
Antes de começar a escrever o Fazendo meu filme 3, eu fiquei pensando que eu ficaria muito triste quando terminasse de escrever a série da Fani, que eu já sabia que ia terminar no livro 4. Então, eu tive a ideia de pegar uma das personagens secundárias e transformá-la em protagonista de uma nova série, pois assim pelo menos eu continuaria a ter contato com os personagens de FMF, não teria que me despedir deles tão depressa, apesar da história da Priscila ser totalmente diferente.

» Qual a previsão de lançamento de Minha vida fora de série 2? E quantos livros você espera que a série tenha?
Tenho planos para escrever mais três livros, mas pode ser que a série cresça um pouco mais… Eu tinha planejado a série Fazendo meu filme com três livros e eles acabaram se tornando quatro… A 2ª temporada da Priscila deve ser lançada no final de 2012 ou início de 2013.

» O que há da Paula na Fani e o que há da Paula na Priscila?
Acho que eu me pareço um pouco com a Fani especialmente na timidez, no jeito sonhador, na introversão… E eu totalmente “emprestei” pra Priscila o meu amor pelos animais! Ah, e assim como as duas, eu também amo filmes e séries de TV!

» O lançamento de Fazendo meu filme 4 aconteceu em várias cidades do Brasil e em alguns lugares acompanhados de um pocket show da banda No Voice – que acaba sendo um personagem importante da série. Como foi esse processo? Como foi a reação das fãs pelo Brasil?
Eu comecei a observar que música Linda, da banda No Voice, acabou se tornando a música tema do Leo e da Fani. Várias leitoras me mandavam homenagens em vídeo com essa música ao fundo. Quando a editora começou a planejar o lançamento de Fazendo meu filme 4, resolveu fazer uma festa de despedida da série, e então eu dei a ideia de chamarem a banda pra tocar. Deu tão certo que acabamos convidando os integrantes para participarem comigo também dos lançamentos de São Paulo e Brasília, onde as livrarias dispunham de auditórios que comportavam um pocket show. As músicas da banda No Voice tem tão a ver com os meus livros que eu quero mantê-la como personagem em Minha vida fora de série!

» O brasileiro ainda tem uma média muito baixa de leitura. O que você acha que falta para que as pessoas passem a ser leitoras habituais?
Em primeiro lugar acho que os pais e os professores devem incentivar mais a leitura. Indicar os clássicos, mas também livros que tenham a ver com a realidade das crianças e dos adolescentes, para que eles possam se identificar e passem a enxergar a leitura como algo prazeroso. Uma criança ou jovem que adquire o hábito da leitura dificilmente o perde depois de adulto. E o contrário também acontece. Acho difícil que uma pessoa que não seja habituada a ler desde cedo comece a ler por prazer na vida adulta.

Um outro fator importante é o preço dos livros. No Brasil o livro é quase um “artigo de luxo”. Acho que deviam criar formas de publicarem os livros em formatos mais acessíveis. No exterior, por exemplo, o livro sai primeiramente com a capa dura, em um formato mais caro, mas poucos meses depois ele é relançado em uma versão mais econômica, para que ninguém deixe de ler por não poder comprar.

» Além de ler pouco, geralmente, a maioria dos leitores do Brasil prefere se dedicar à leitura contemporânea estrangeira. Você acha que isso se deve ao fato de ter pouca coisa sendo produzida por aqui para o público jovem?
Acho que isso tem mudado. As editoras estão dando chance para autores nacionais e os leitores também. Eu sofri um certo preconceito no início, via garotas falando bem dos meus livros e aí vinha uma amiga e comentava: “ah, mas é nacional?”. O brasileiro tem essa crença boba de que apenas o que vem de fora é bom… Mas isso na verdade é um assunto muito complexo… Lá fora os escritores podem facilmente ter a escrita como profissão e com isso podem se dedicar mais, fazer mais cursos, escrever mais… E assim mais livros são colocados no mercado. Eu espero que algum dia isso também seja uma realidade no Brasil.

» É claro que como suas protagonistas você deve gostar muito de filmes e séries. Quais são seus filmes e séries favoritos?
Tenho tantos filmes preferidos que é até difícil citar só alguns!! Mas os que eu não me canso de ver nunca são: 10 coisas que odeio em você, De repente 30, A Noviça Rebelde, entre muitos outros… Minha série de TV preferida de todos os tempos se chama My so called life (que foi exibida pelo Multishow como Minha vida de cão), mas minha preferida atual é Glee.

» Como escritora, o que você acha da cada vez mais frequente adaptação de livros para o cinema? E o que você acharia se os seus livros fossem transformados em filmes?
Eu gosto de ver os personagens que antes só existiam em nossa mente se transformarem em pessoas de carne e osso. O problema é quando eles viram pessoas completamente diferentes daquelas que nós imaginamos! Eu tenho meio birra de filmes que estragam os livros. Por isso mesmo eu estou estudando com muita calma as propostas para transformar meus livros em filmes, pois, quando isso acontecer, quero que a versão cinematográfica seja a mais fiel possível aos livros.

» Quais são seus próximos projetos?
Agora na Bienal está sendo lançado o meu primeiro livro de crônicas. Ele se chama Apaixonada por Palavras. Se eu conseguir terminar de escrever a tempo, Minha vida fora de série – 2ª temporada será lançado em novembro, mas caso contrário deverá ser lançado em março de 2013. E para o ano que vem eu vou começar uma nova série, com a Cecília, uma personagem que todo mundo conheceu em Fazendo meu filme 4. Ela ama livros e acredito que muita gente vai se identificar com ela!

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tayra

Eu sou daquelas que assobia, chupa cana, bate palma e rebola ao mesmo tempo. A que queria ser ginasta e acabou bailarina, a que estudou História e Jornalismo, mas virou publicitária de pé quebrado. Eu tenho sede de mundo, de viver, de saber… “A vida é hoje, o sol é sempre, se já conheço eu quero é mais…” (Milton Nascimento)

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