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Fogo e Sangue: a construção d’As Crônicas de Gelo e Fogo

Guerra dos Tronos imagem de abertura

George R. R. Martin (GRRM), autor das Crônicas de Gelo e Fogo, começou sua carreira como escritor de ficção científica nos idos de 1971. Apesar da boa recepção de seus livros, o público para este tipo de literatura sempre foi muito pequeno, mesmo nos Estados Unidos, o que fez com que ele migrasse para a TV em meados dos anos 1980.

Entretanto, frustrado com as limitações que a TV impunha ao seu trabalho, em 1991 GRRM voltou à literatura. A princípio ele pretendia escrever um livro de ficção científica chamado Avalon, mas depois de três capítulos uma ideia surgiu em sua cabeça: um garoto vendo um homem ser decapitado e depois encontrando lobos selvagens na neve. O que se tornou o primeiro capítulo (excluindo o prólogo) de A Guerra dos Tronos.

Ávido leitor desde criança, GRRM diz que as obras de J. R. R. Tolkien e Tad Williams foram as principais influências na escrita d’As Crônicas. Mas não são as únicas: algumas locações e episódios históricos também serviram para influenciar Martin. A Muralha, por exemplo, foi inspirada no Muro de Hadrian, no norte da Inglaterra, próximo à fronteira com a Escócia.

Games of Thrones, A muralha

Já a trama política tem influência das Guerras das Rosas, uma série de guerras civis dinásticas pela disputa do trono da Inglaterra (estes conflitos têm este nome porque os símbolos heráldicos das duas casas envolvidas, a Lancaster e a York, são uma rosa vermelha e branca, respectivamente), da Guerra dos Cem Anos, das Cruzadas, entre outros eventos históricos.

Cada capítulo é narrado do ponto de vista de um único personagem. E o mais fascinante é que Martin muda a forma de escrever em cada um desses capítulos, dando a cada personagem seu próprio ritmo e sua própria voz. Desta forma, podemos mergulhar profundamente no universo de cada um deles (até agora foram 31 personagens diferentes, alguns com apenas um capítulo). Mas essa característica também deixa a sensação de que o livro é a adaptação de um roteiro de filme ou série de TV.

Jaime Lannister

Mesmo se tratando de uma obra de fantasia, onde classicamente há uma divisão marcadamente maniqueísta entre o Bem e o Mal, Martin preferiu uma abordagem mais realista. Nenhum personagem é completamente bom ou mau – talvez com uma única exceção, mas isso é opinião minha. Isso faz com que um personagem que inicialmente era odiado seja amado posteriormente, ou um que seja desprezível seja depois motivo de pena. Como na vida real.

Ned Stark

Martin prossegue em sua abordagem realista quando aborda as religiões de Westeros e Essos. Cada religião reflete o temperamento de sua cultura e todas elas foram baseadas em religiões reais. A Fé dos Sete é claramente baseada na doutrina cristã da Trindade, por exemplo.

E também temos as mortes… Nenhum personagem é intocável. Desta forma, Martin consegue manter um nível de tensão incrivelmente alto durante a maior parte do tempo. A revista americana Entertainment Weekly diz que a forma cruel com que GRRM mata personagens amados faz com que “(os) fãs arremessem seus livros do outro lado da sala – apenas para irem pegá-los de novo”.

Daenerys Targaryen

As Crônicas de Gelo e Fogo não são leitura para crianças. Há violência, morte, sexo, estupro, incesto, traição, vingança e mais um punhado de características moralmente ambíguas. Westeros pode ser fictício, mas lembra demais o mundo real. Talvez seja por isso que os personagens deste mundo sejam tão cativantes: poderia ser eu no lugar dos Starks, dos Lannisters ou de um aldeão de uma vila esquecida no meio do nada.

Starks em Winterfell

Não vejo a hora de ler The Winds of Winter. Se as previsões de Martin forem corretas (o passado recente mostra que não), os próximos três anos serão bem longos…

PS: E se minhas previsões forem corretas, no próximo post eu começo a falar da história propriamente dita. Até lá!

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Vinícius Cordeiro

“And all I ask is a tall ship and a star to steer her by” – John Masefield

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