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[livro] A Insustentável Leveza do Ser – Milan Kundera

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Conversando no Twitter no finalzinho do ano passado com a Bruna sobre As Brumas de Avalon, a Roberta apareceu e lançou o desafio de lermos A Insustentável Leveza do Ser. Comecei a lê-lo um pouco antes de ser convidado para colaborar no Livre-se, e ela aproveitou para aumentar o desafio com uma resenha. E como vocês podem perceber, eu aceitei. =) 

Este livro pode ser lido de duas formas distintas: uma delas é prestando atenção em todos os detalhes e referências filosóficas e políticas que o autor desmembra e utiliza com maestria. A outra é lê-lo como um depoimento sobre o amor nos seus momentos bons, ruins e péssimos. É… Milan Kundera é uma espécie de Nelson Rodrigues tcheco. A vida como ela é, os desejos, as traições, as taras, as perversões e os sentimentos de pessoas que transpiram, tomam banho, trabalham e cagam.

Mas como toda regra tem sua exceção eu misturei as duas formas. E daí, entre a minha vontade incontrolável de comprar um chapéu-coco e fotografar mulheres nuas na frente de tanques russos, eu me deparo com o eterno retorno de Nietzsche, a leveza e o peso de Parmênides, a Primavera de Praga, a morte do filho de Stalin. E Beethoven. Um de seus quartetos é um grande coadjuvante na narrativa. Muss es sein? Tem de ser assim? Es muss sein! Tem de ser! Muitas vezes entramos em contato com essas palavras e entendemos um pouco mais a cabeça pervertida de Tomas.


Entrar na cabeça das pessoas é uma artimanha bem usada pelo autor para nos fazer entender o porquê das ações e reações de Teresa, Sabina, Franz, e até de Karenin, um cachorro bem mais humano e sincero que muitas pessoas que conhecemos. As pausas de Kundera durante a narrativa para comentários sobre os feitos dos personagens ou puras divagações filosóficas também são uma atração à parte. A construção da história é aparentemente linear até nos perdemos um pouco, mas eu não vou estragar as surpresas interessantes que cada parte nos reserva.

Posso dizer que vocês terão diversas reações ao ler A Insustentável Leveza do Ser. Algumas delas bem contrárias em questão de poucas linhas de distância. Temos capítulos apáticos, engraçados, aflitivos, divertidos, esclarecedores, filosóficos, bonitos, escatológicos (a “cereja do bolo”, na minha opinião) e curiosos, todos com algum elemento que nos dá vontade de chegar mais rápido ao final para saber o destino de todos os personagens.

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André Lasak

Redator-peregrino. Viciado na arte da letra. Na construção das palavras. Na musicalidade das frases. Na remissão dos pecados. Na vida eterna. Amém.

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