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[livro] O ipê floresce em agosto – Lucília Junqueira de Almeida Prado

2012-04-25 12-44-23.508

Em um post mais antigo falei sobre um hábito retomado, depois de alguns anos de força de vontade e resistência: o hábito de “garimpar” livros em sebos. Havia já algum tempo que que eu resistia bravamente à compulsão de passar uma horinha de silêncio entre títulos inusitados (porque em livraria é quase óbvio o que encontraremos em exposição, em todas elas), e sair de lá com uma meia dúzia de livros na mão. Nessa última visita ao sebo, acabei encontrando uma pérola, uma relíquia pra mim: o livro O ipê floresce em Agosto, de Lucília Junqueira de Almeida Prado. (eu geralmente dou uma pequena introdução sobre o autor, mas sobre ela escrevi um post inteiro. Quem se interessar, clica aqui). 

Que delícia de leitura foi esta! Lucilia Junqueira de Almeida Prado é uma autora doce. Livros dela, para mim, tem sabor de infância, de suavidade; tem um quê de algo perdido, esquecido e sereno. No meu Top 5 pessoal, ela figura com o livro “Uma rua como aquela“, livro escrito tendo como público alvo os jovens da década de 60 e 70. Este livro foi um dos mais importantes da minha infância, e me é muito caro até hoje.

O Ipê floresce em agosto data de 1977. Contém, segundo autógrafo da própria autora, “5 contos, 1 novela e 1 romance-miniatura, escrito para adolescentes“. Eu o li logo que comprei, e estou relendo, para poder escrever esta pequena resenha com ele “fresquinho” na minha cabeça. Os contos são curtos e diversos: alguns tem aquela atmosfera de interior, outros tem um ar de cidade, um certo glamour feminino (bailes, vestidos). (Aliás, arrisco-me a recomendar este livro especialmente às mulheres).

Há um dos contos – que até já pensei em transcrever aqui – em que uma menina acorda depois da noite em que foi eleita Miss. Há um pouquinho do que penso ali, uma bela resposta para a questão de “como é que as Misses pensam transformar o mundo?” Simples: sendo elas mesmas, utilizando a atenção que ganham para fazer o bem. Na época em que concorri à Festa da Uva e tive o privilégio de trabalhar como Embaixatriz, procurei aproveitar o encanto que aquele vestido enorme exercia sobre as crianças para espalhar um pouco do que acredito. Uma das tarefas das Embaixatrizes era visitar escolas, divulgando a Festa para as crianças. Em cada sala de aula em que entrávamos, porém, tentava ir além da divulgação: de acordo com a idade, buscava contar alguma curiosidade sobre a história da Festa ou da cidade, explicar (aos mais velhos) a importância de valorizarmos nossa própria cultura e tradições e, ao perguntar quem gostaria de ser embaixatriz ou soberana quando crescesse, destacava a importância da leitura e dos estudos, não só para esta finalidade, mas para tudo na vida. Contava, segundo a demanda deles, coisas maravilhosas que tinha aprendido durante o concurso e deixava claro que, para aprendermos, basta estarmos disponíveis para isto. Buscar, perguntar aos mais velhos, questionar, pesquisar. Saber ver e ouvir. E que livros – de todos os tipos, não somente os de matérias – ensinavam muito: deixavam um pouquinho deles na gente, bastava lê-los sempre que pudéssemos. Aprenderíamos a escrever e falar melhor sem sequer nos darmos conta.

Posso não ter melhorado o planeta todo, e nem sequer  ter chegado perto de fazer cócegas na tal da paz mundial. Mas se eu pude, de alguma forma, incentivar um daqueles pequeninos a buscar a leitura, o conhecimento, a respeitar sua própria cultura e dar valor às histórias, então eu de fato mudei um mundo inteiro: o desta criança. Alguém tem coragem de dizer que não valeu a pena?

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“Quem é você?” perguntou a lagarta. “No momento não sei muito bem, senhora” respondeu Alice, timidamente. “Eu sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que mudei muitas vezes desde então”. (Alice no País das Maravilhas – Lewis Carroll)

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