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[livro] O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry

pqn principe

Eu quase usei “Reflexões de Miss” como título para este post, para fazer uma brincadeira com a atribuição estereotípica do livro O Pequeno Príncipe (livro online aqui), de Antoine de Saint-Exupéry, às candidatas a títulos de Miss. Essa associação foi feita por conta de dois enganos comuns: o primeiro, de que todas as Misses são intelectualmente ineptas e, portanto, incapazes de ler e citar livros ditos “complexos”. O segundo erro, de que O Pequeno Príncipe seja um livro desprovido de complexidade. É sobre este último que hoje quero falar.

Papo de Miss

Citações fora de contexto me deixam doente. Algumas frases são repetidas pela humanidade até à exaustão, a grande maioria completamente fora de contexto. Não sou contra citações, pelo contrário, gosto muito delas; gosto tanto que acho que deveriam ser usadas com mais respeito, pobres coitadas. Sou contra a falta de propósito, contra o ato de fazer ou dizer o que quer que seja sem uma mínima reflexão. Espalhar frases ao vento, em minha humilde opinião, por diversas vezes presta um enorme desserviço ao autor. Que o digam Caio Fernando Abreu e Clarice Lispector: geniais, profundos e inteligentes, mas atualmente odiados e até desprezados por conta de tantas frases repetidas por pessoas que em sua grande maioria, aposto, SE chegaram a ler algo além das frases soltas que esfregam em nossos narizes diariamente, não foram capazes de captar seu sentido. Parafraseando a raposa, personagem do livro de hoje: “A linguagem é uma fonte de mal entendidos”. E não é?

O Pequeno Príncipe e a Raposa

E eis que um dos livros mais exaustivamente “esquartejados”, despidos de sua aura artística e citados completamente sem contexto é justamente O Pequeno Príncipe. Um livro profundo e complexo, todo ele aprendizado e descobertas, crescimento e humanidade, cheio de questões relevantíssimas e sérias, é diariamente destituído de seu poder transformador. Uma das maiores provas da complexidade deste livro é justamente sua linguagem: é preciso muita sabedoria para transmutar questões como a vida e a morte, perdas, amizade e responsabilidade em uma história tão acessível. Este livro acaricia minha alma, enleva meu espírito, me põe atenta às pequenas alegrias da vida, ao verdadeiro significado e importância das coisas, e certamente será uma ferramenta que utilizarei para transmitir estes questionamentos ao meu filho.

Bebê pequeno príncipe

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, disse a raposa. “Cativar” é uma palavra forte. A mim remete à ideia de tornar cativo, preso, prisioneiro. Fazer seu. No livro, a própria raposa estava a ensinar o príncipe como torná-la cativa, mesmo sabendo que o perderia. Cativar é tomar alguém pela alma, aprisionar alguém dentro de si e permitir-se ficar no outro. Deixar-se cativar é perigoso, pode doer (quase sempre dói), mas é necessário, é importante, é o que nos leva a conhecer o mundo de verdade, encontrar sentido e significado nas pequenas (e nas grandes) coisas. A grande moral desta frase é a responsabilidade, o ensinamento de nunca ser leviano com o coração alheio, de nunca machucar alguém que é da gente, cujo coração nos pertence, alguém que fizemos cativo. “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas“, disse uma raposa em um livro infantil. Muita gente grande desdenha da simplicidade deste livro, mas ainda não aprendeu essa lição.

O significado nas coisas ao nosso redor

“Todas as pessoas grandes foram um dia crianças. (Mas poucas se lembram disso)”. Antoine de Saint-Exupéry

 

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