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Meu passado me condena, meu presente me liberta (sobre literatura infantojuvenil)

literatura infantojuvenil

Já mantive uma média de leitura bem maior do que hoje mantenho, por diversas razões. As principais causas para o decréscimo da minha média de leitura (de 6-7 livros por semana para 3-5 por mês) foram a falta de tempo – afinal, não dá pra competir em termos de tempo livre com a época do ensino fundamental – e o tipo de leitura - literatura infantojuvenil é bem mais rápida de se ler do que um dos calhamaços de hoje em dia, né?

Naquela época eu não era nada seletiva, lia o que me caísse nas mãos – até rótulo de shampoo, na falta do que ler durante o banho. Mas nessa não-seletividade havia um porém (pausa dramática para uma confissão ridícula): eu tinha vergonha de dizer que apreciava literatura infantojuvenil. Sim, riam da pretensão dos meus 11 anos. Eu ri, enquanto escrevia.

Por exemplo: eu pegava sempre dois ou três livros na escola, e mais quatro na biblioteca do Sesi, todas as semanas. Eu só anotava na minha lista de livros lidos (que possivelmente já foi para o lixo há anos) os livros juvenis ou adultos. Uma das minhas maiores fontes de diversão na época, a série da Inspetora (bem como todos os similares), ficava invariavelmente de fora dos meus registros e conversas sobre livros daquela época.

 

Eu não tenho bem certeza de onde foi que começou essa coisa toda, mas creio que tenha sido por conta das pessoas mais velhas da minha família. Não nasci no que se pode chamar de uma família de leitores como a sortuda da Tayra, logo, esta minha voracidade literária era motivo de espanto e orgulho para os meus tios, tias, pais, avós, etc. Eu não entendia o que havia de tão espantoso, e entendia menos ainda como é que alguém poderia não gostar de ler e, portanto, continuava no meu cantinho devorando minhas histórias e, eventualmente, era flagrada com um livro considerado “adulto” por eles (Agatha Christie, por exemplo). Quando isto acontecia, eu virava quase uma atração de circo, e todos gostavam de contar aos amigos sempre que eu estava presente o quanto eu lia e como lia “livros além da minha idade”. Depois de tanto auê, devo ter ficado com certo receio de aparecer publicamente carregando Pedro Bandeira para cima e para baixo.

Agora, uma vez tendo confessado esta pequena (e antiga) falha, devo confessar uma recente, motivo deste post todo, afinal. É que eu redescobri o prazer da literatura infantojuvenil, e decidi me dedicar a ela neste mês de janeiro. Não anda muito fácil encontrá-los (biblioteca da escola, I miss you), mas está sendo divertidíssimo ler estes livros novamente. Havia me esquecido de como era fácil e despretensioso ler uma história escrita para ser entretenimento puro, fácil e acessível. Dei-me, inclusive, ao luxo de conhecer (finalmente!) um autor de quem eu muito ouvia falar, e que despertava uma imensa curiosidade em mim: Mark Twain. Interrompi a leitura de Uma nova história do tempo, de Stephen Hawking sem dó (e ainda tive a pachorra de vir até aqui contar pra vocês): estou indo passear num mundo colorido e simples, e não sei quando volto.

Crescer é tão libertador. (:

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“Quem é você?” perguntou a lagarta. “No momento não sei muito bem, senhora” respondeu Alice, timidamente. “Eu sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que mudei muitas vezes desde então”. (Alice no País das Maravilhas – Lewis Carroll)

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