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Meu TOP 5 – Cinco livros favoritos (por Bruna) PARTE I

Top 5 melhores livros

Tenho uma certa dificuldade em estabelecer coisas (livros, cores, musicas, etc.) favoritas porque elas variam o tempo todo. Se hoje disser que minha cor favorita é o verde, amanhã posso detestar esta cor. Não são as coisas que mudam: sou eu. Mudo tanto que nem me reconheço em muitas das coisas de que gostava. Mas gostei tanto da ideia da Tayra de fazer um “Top 5” – uma lista de livros favoritos – que decidi aderir.

Já li uma quantidade considerável de livros quando mais nova (seis por semana, religiosamente durante a sétima série/ano 2000 e um pouco menos nos anos seguintes), mas eles são diversão pra mim. Eu os leio, e depois esqueço-me da esmagadora maioria deles, apenas para ter o prazer de reler depois (por isto prefiro comprar livros a locá-los). É como visitar um amigo querido novamente e nos sentirmos “em casa” com aqueles personagens que conhecemos bem a ponto de sabermos exatamente o que farão. Ninguém vai matar ninguém, ou fugir de casa, ou qualquer outra atitude drástica sem que saibamos antes.

Sendo assim, vou definir como “critério” livros que me marcaram de forma profunda, a ponto de eu sentir “falta” deles, de seus personagens, de seus lugares e histórias, de me lembrar deles mesmo depois de anos após tê-los lido. A lista é bem eclética: há nela literatura infanto-juvenil (segundo Roberta, são os livros lidos na infância que mais nos marcam vida afora – e eu concordo), poemas, literatura brasileira (regional, adoro autores gaúchos), literatura estrangeira. Acredito ter me definido o melhor possível nestes cinco que a duras penas escolhi.

Há muitos autores de que gosto, e que não serão mencionados na lista. Senda assim, cabe uma menção honrosa aos principais: Oscar Wilde (louco de pedra, genial), Agatha Christie (a alegria dos meus verões), Monteiro Lobato (e o “país da Gramática”, que até hoje vive na minha mente e que só não entrou na lista porque sou incapaz de escolher UM), Fernando Pessoa, Victor Hugo (que te enrola um capítulo inteiro e na última linha te deixa em estado de choque), Alexandre Dumas (que deve fazer feitiçaria pra não conseguirmos desgrudar dos livros antes que eles acabem), Franz Kafka (demorei para gostar: foi somente depois de ler e gostar de “O Processo” que decidi reler “A Metamorfose“, que eu detestava por conta da obrigatoriedade do vestibular), Machado de Assis (quem não gosta por causa da escola, uma dica: faça a si mesmo um favor e permita-se uma nova tentativa depois de adulto), Martha Medeiros (que sempre que leio tenho ganas de escrever), Josué Guimarães, Gabriel García Marquez (Leiam este texto do André. Nada mais tenho a declarar além dele), John Steinbeck, Orígenes Lessa, Rubem Alves, Moacir Scliar, e, se me deixar, nunca mais acabo esta lista. Portanto, vamos logo ao que interessa: os cinco escolhidos.

O Leopardo – (Giuseppe Tomasi di Lampedusa)

 

O Leopardo - Lampedusa

Este livro dificilmente sairá da primeira posição. É sem dúvida o melhor livro que já tive o prazer de ler. É tão favorito que já o li do início ao fim nada menos que onze vezes – e isso sem contar as inúmeras vezes em que eu relia trechos específicos, como a cena do baile, ou a do jardim… A cada nova leitura, um novo sentido, um detalhe que antes havia passado despercebido, uma nova forma de ver as coisas, um aumento da intimidade com os personagens. O autor é um príncipe, nascido e crescido em castelos e propriedades familiares seculares. As descrições dos salões e jardins são claras, suaves, perfeitas. Adoro o que sinto por este livro. Uma das coisas que mais admiro nele (depois das descrições) é a forma suave como o tempo passa, como a vida segue, como as coisas mudam. O personagem principal, Fabrizio Corbera, príncipe de Salinas, deixa que a vida passe enquanto assiste à decadência da monarquia italiana, sem fazer qualquer esforço para interferir ou inserir-se no novo contexto que se delineia. Vou confessar uma coisa boba: tenho medo de fazer a resenha deste livro e sentir que minha missão literária neste planeta está cumprida. Hahaha. Mas juro que farei! It’s a pinky promise.

 

Uma rua como aquela (Lucília Junqueira de Almeida Prado)

 

Uma rua como aquela - Lucília Junqueira de Almeida Prado

Confesso que esta escolha foi completamente norteada pela nostalgia. E foi dolorosa, uma vez que tive que escolher entre ele e Lili do Rio Roncador, da mesma autora. O “Lili” foi meu primeiro livro de verdade, todo meu. Eu já não era assim tão pequena (devia ter uns sete ou oito anos), mas até então, somente havia lido livros de outras pessoas (irmã, mãe, pai, tios), ou livros de biblioteca, ou gibis (e bulas de remédio, folders, embalagem da pasta de dentes, manuais de intrução, etc). Nunca tinha tido o prazer de dizer que o livro era MEU, só meu, todo meu, pra ler e reler sempre que quisesse, e colocar em uma prateleirinha no meu quarto. Lili do Rio Roncador me foi dado por meu pai, que já estava cansado de ver gibis desaparecerem nas minhas mãos (ele reclamava que eu lia rápido demais e decidiu me dar um livro pra ver se durava mais). Na contracapa deste livro, haviam outros quatro livros da mesma autora, e eu poderia escolher mais um (\o/) com uma única condição: a de demorar pelo menos uma semana pra ler Lili do Rio Roncador (juro). Moral da história: Li o livro em três dias, reli em outros dois, e passei mais dois fingindo que ainda o lia. E ganhei “Uma rua como aquela“, escolhido por mim!. Foi a minha glória. nunca mais esquecerei da sensação de ganhar um livro que eu havia escolhido. O livro fala do dia a dia dos moradores de uma pequena rua sem saída, em especial, das crianças e adolescentes, seus jogos de bola, seus amores, suas reuniões na casa de um e outro. Era como passar tardes de sol em algum lugar do final da década de setenta (o livro se passa em 1969, e inclusive, contém uma passagem sobre eles todos se reunindo na casa de um dos amigos pra assistir a chegada do homem à lua), com amigos pra vida toda. Reli este livro muitas vezes, e obriguei mais gente a ler e a se apaixonar pela pequena rua que só tinha entrada pela Rua do Governador, e que no final abrigava uma árvore de pau brasil, em frente à casa das “três solteironas” e ao castelo do “velho avarento”, que por sua vez, ficava espremido entre o campinho e o pomar como um “peru no pires”. Dá até um aperto no peito falar deste livro.

 

(Como este post ficou maior do que eu esperava, os outros três estão neste post aqui) . 

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“Quem é você?” perguntou a lagarta. “No momento não sei muito bem, senhora” respondeu Alice, timidamente. “Eu sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que mudei muitas vezes desde então”. (Alice no País das Maravilhas – Lewis Carroll)

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