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Meu top 5 – Cinco livros favoritos (por bruna) PARTE II

Top 5

Este post é uma continuação do meu Top 5, minha lista de livros favoritos (ideia descaradamente copiada deste post aqui, escrito pela Tayra). Como o post inicial havia ficado muito grande, acabei por dividí-lo em dois. Preguiçosos me agradecerão por isto. 😀

Fica aqui também um convite sutilmente descarado, para o André, o Vinny e a Roberta postarem seus Top 5. Eu sei que a tarefa não é nada fácil, mas é bem gratificante conseguir definir uma lista que, mesmo pequena, diga tanto sobre a gente.

Sem mais delongas, vamos aos três livros restantes. 

ViagemVaga Música (Cecília Meireles)

 

Viagem Vaga Música Cecília Meireles

 

Sim, eu sei. Viagem é um livro, e Vaga Música é outro. Mas eu os conheci em uma edição em que foram publicados juntos, e eu não conseguiria separá-los na minha cabeça. Aliás, é bem comum que estes dois livros de poemas sejam encontrados juntos. Comecei a gostar de poesia aos 12 anos, na sétima série, por causa de um poema da Cecília, chamado Lua Adversa. Peguei Viagem Vaga Música na biblioteca da escola, e desde que o fiz, nunca mais consegui viver sem eles. Há muitos (muitos mesmo) momentos da minha vida em que contenho citações deste livro: ele mora na minha cabeça. Há certas coisas que parece-me que somente as palavras de Cecília são capazes de descrever com perfeição: não sei se os poemas dela se encaixam na vida, ou se é o contrário.  Frases como “as palavras estão muito ditas  /e o mundo, muito pensado“, parecem conter um universo inteiro de significados, são capazes de me pôr a pensar por horas. Cecília consegue em poemas curtinhos cantar alegrias, doçuras e mágoas com o mesmo ar doce, intenso, etéreo. A vida, o mundo, a dor, tudo parece mais sublime quando cantado por Cecília. Se a vida pudesse ter trilha sonora, eu a trocaria pelo silêncio acompanhado de poemas dela a ecoar na memória. É fascinante o domínio que ela excerce sobre as palavras. Mais do que domínio: encantamento.

Há um poema curtinho em que ela consegue colocar a existência inteira em jogo: “O vento voa / a noite toda se atordoa / a folha cai. / Haverá mesmo algum pensamento / sobre essa noite, sobre esse vento / sobre essa folha que se vai?”

Certa vez, me disseram “aprenda a apreciar vinhos, e estarás acrescentando mais um prazer à tua vida”. Digo exatamente o mesmo sobre poesia.

 

Comédias Para se Ler na Escola (Luís Fernando Veríssimo)

 

Comédias para se ler na escola - Luís Fernando Veríssimo

 

Eu não poderia de forma alguma deixar Luís Fernando Veríssimo de fora desta lista, de modo que me obriguei a escolher um livro dele qualquer. Eu poderia ter escolhido “Comédias da Vida Privada”, “O Nariz e outras crônicas”, “A Mulher do Silva”, “Sexo na cabeça”, “O Analista de Bagé”, “A velhinha de Taubaté”, ou qualquer outro livro dele, exceto “Comédias da Vida Pública”. Este último livro foi o que menos gostei dele até hoje, por tratar-se de crônicas sobre a vida política do Brasil em um tempo em que eu não estava nem em projeto. Além de história não ser meu forte, é difícil entender os gracejos sutis do autor sem sequer saber quem são os personagens que ele cita.

Ná época da escola, tive um amigo chamado Pedro (estudamos juntos da terceira série ao terceiro ano) que era um leitor tão voraz quanto eu, mas com um diferencial: enquanto eu era a única leitora da minha casa, ele era filho de uma professora de Literatura, e de um pai altamente  intelectual. Portanto, muitos autores novos me eram apresentados por ele  todo o tempo, e incontáveis vezes um de nós obrigava o outro a ler o livro que recém tinha acabado para poder conversar sobre ele. Nunca o hábito da leitura foi tão prazeroso quanto nesta época! Conheci Veríssimo-Filho (como minhas irmãs e eu apelidamos carinhosamente este autor entre nós, pra não confundí-lo com Érico Veríssimo, seu pai) na escola. Foi assim: estávamos na sala de aula depois de voltarmos da biblioteca, Pedro e eu, cada um lendo seu livro, até que ele me interrompeu pra me obrigar a ler uma parte do livro dele. Eu o xinguei por conta da interrupção e disse que leria depois que ele devolvesse o livro, e que era pra ele me deixar em paz. Ele insistiu (e como sempre, ganhou a discussão) e me fez ler (“é rapidinho, é só uma crônica, acaba na próxima página e eu te deixo em paz!”) e até hoje sou grata por isso. Comecei a ler a crônica “Sfot Poc” com ele ao meu lado, e a gente ia dando risada juntos, até que a crônica acabou e eu perdi o interesse pelo que eu estava lendo: queria o dele. Porém, tive que esperar uma semana, até que ele devolvesse para a biblioteca, para ler o resto. Sacanagem, né?

 

A Bíblia Sagrada (Deus, e não arredo o pé)

 

Bíblia Sagrada - Deus

 

Mó! Deixei a surpresa para o final. Mas antes de falar sobre este livro, um escudo: sim, sou cristã e não, não estou pregando aqui. Confesso que queria levá-los todos pro céu comigo <3 mas tenho plena consciência de que tentativas de aproximação mal feitas e sem receptividade alguma repelem muito mais do que atraem. Portanto, fiquem sossegadinhos, que não vou obrigá-los a passar para o lado todo-poderoso da força com um parágrafo, ok? Sejam lindos e cultos e abram a cabeça para esta, que é apenas uma singela opinião literária.

Li a Bíblia praticamente inteira, pulando algumas partes menos interessantes para mim (como “fulano, filho de ciclano, filho de beltrano e Zzzz“). E, olha, curti. Muito. Li a criação de um mundo do nada, histórias de guerras, viagens, provações, milagres, reis, rainhas, tragédias e muito mais, para nenhum fã de literatura épica colocar defeito. Na história da Torre de babel refleti sobre o império Romano e a formação das diversas línguas que existem hoje no mundo (a história da Torre foi escrita muitos, mas muitos anos antes). Já custei a dormir depois de ler o apocalipse (imaginação de leitor é uma faca de dois gumes). Li a história de mulheres que foram decisivas em momentos críticos, apesar de, à época, as mulheres absolutamente não terem voz. Ah, e como eu adorava a história de Ester, uma plebéia judia que é escolhida para ser treinada como princesa, (spoiler alert) vira rainha do rei Xerxes, e acaba usando seu poder para salvar todo o seu povo! Há um momento da história em que ela fala ao tio que tem medo de interferir, de conversar com o rei e acabar sendo morta (porque entrar na presença do rei Xerxes sem ser convidado era um convite para um pescoço a menos) e o tio responde a ela: “E quem sabe se não foi exatamente para este momento que foste feita rainha?” Arrepiei. Essa frase ecoou na minha mente uma dúzia de vezes ao longo da minha vida, em momentos em que eu poderia fechar meus olhos e manter-me segura, ou agir correndo riscos.

E há, é claro, a significação que tudo tem pra mim. As promessas, o amor do meu Deus, e tantas palavras que foram lidas no momento certo da minha vida, para tirar as minhas dúvidas, me dar paz, acalmar meu coração. A Bíblia é isto. é um livro enorme, amplo e complexo, que abrange uma dezena de gêneros. Na parte do post em que falei sobre poesia, me permiti expressar toda a paixão que este assunto desperta em mim, logo, não faria sentido conter-me para falar da Bíblia. Ela é como um livro de poemas: pode ser um mero livro pra quem não sente, não crê, não se deixa tocar pelo que ela contém. Pode ser uma arma para quem quer discutir e argumentar tanto contra quanto a favor da fé de alguém (o que é uma tremenda perda de tempo). E pode até ser literatura para os mais desarmados, veja você. Como tudo na vida, o que define o resultado é a peça que fica atrás – do livro, do volante, do controle remoto da TV, et cætera.

Estes são os meus cinco escolhidos. Odiadores odiarão. Entendedores entenderão. E leitores… bom, estes últimos são imprevisíveis.

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“Quem é você?” perguntou a lagarta. “No momento não sei muito bem, senhora” respondeu Alice, timidamente. “Eu sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que mudei muitas vezes desde então”. (Alice no País das Maravilhas – Lewis Carroll)

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