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Project Gutenberg

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Um tópico que volta e meia é discutido internamente com o pessoal do Livre-se diz respeito aos eBooks. Há quem não suporte, há quem tolere e há quem ache que livros físicos e eletrônicos se complementam (é a humilde opinião deste que vos escreve). Mas engana-se quem acha que esta tendência é recente. Na verdade, eBooks já existem há mais de 40 anos! Hoje falarei um pouco sobre o projeto pioneiro na disponibilização de eBooks, o Project Gutenberg.

Tudo começou em 1971, quando o Michael Hart, um estudante da Universidade de Illinois, recebeu uma conta de acesso virtualmente ilimitado ao mainframe da universidade, uma Xerox Sigma V. Isso na década de 1970 era um baita de um privilégio, já que mainframes eram máquinas muito caras, além  de ser uma senhora responsabilidade. (Este mainframe em específico era um dos 15 nós principais da ARPANET, a rede antecessora da Internet.)

Ciente disto, Michael resolveu retribuir com algo que fosse do alcance dele, mas que ao mesmo tempo fosse bastante útil. E a ideia que ele teve foi disponibilizar livros de domínio público em formato digital, com a meta de disponibilizar 10 mil livros até o fim do século XX. Foi quando surgiu o Project Gutenberg. O nome é uma homenagem a Johannes Gutenberg, o homem que introduziu no século XV a imprensa na Europa (ela já existia na China há muito tempo). E como um bom americano patriota, o primeiro texto disponibilizado por Michael foi a Declaração de Independência dos Estados Unidos.

Com o tempo, o projeto foi angariando mais e mais voluntários. Até 1989 todos os textos eram digitados pelos participantes, mas com o advento dos scanners e dos programas de reconhecimento ótico de caracteres (OCR na sigla em inglês), o projeto ganhou novo fôlego. Em 2000, Charles Franks, um entusiasmado participante do projeto, criou o site Distributed Proofreaders, para ajudar a acelerar ainda mais a disseminação de livros pelo Project Gutenberg. (Explicação técnica rapidinha: programas OCR não são 100% precisos, então é necessário ler o texto para corrigir os erros, comparando com a imagem scanneada do livro. O Distributed Proofreaders permite fazer isso de forma fácil, sendo que um livro pode ser corrigido por dezenas de pessoas ao mesmo tempo, acelerando enormemente o processo.)

A meta de 10 mil livros até o fim do século XX não foi batida, mas foi por pouco: ela foi alcançada no finalzinho de 2003. Hoje o Project Gutenberg disponibiliza mais de 40 mil livros em diversos idiomas, inclusive português, e nos mais diversos formatos digitais. Há versões em texto puro, PDF, HTML, e até para leitores digitais, como o Kindle e o Kobo.

Infelizmente Michael Hart não está mais entre nós: ele morreu em sua casa no dia 6 de setembro de 2011, aos 64 anos. É incrível como sua visão nos anos 1970 de que, no futuro, computadores se tornariam itens comuns nos lares foi realmente cumprida, e como esta visão inspirou tantas pessoas no ideal de compartilhar com a Humanidade o conhecimento armazenado em livros.

Mr. Hart, I salute you.

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Vinícius Cordeiro

“And all I ask is a tall ship and a star to steer her by” – John Masefield

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